sábado, 21 de janeiro de 2012

Flocos e Arco Íris


Uma noite muito gelada, que congelava os ossos daqueles que andavam pelas ruas e também daqueles que estavam confortáveis em suas casas. O lugar: chamado “Flocos Cortantes”. Um vilarejo coberto pela neve, onde não se havia a necessidade de pintar as casas, pois o branco do manto frio já se encarregara de dar a suave decoração.

Não havia nada que pudesse esquentar os habitantes, uma chama sequer. Nem mesmo a beleza da lua conseguia diminuir os efeitos congeladores. Entretanto, havia uma garota que estava feliz com toda aquela neve e também com a temperatura implacável.

Ela usava apenas um simples casaco marrom escuro e um gorro azul claro. Sem luvas, e uma saia vermelha escura que mostrava parte das pernas brancas e levemente pálidas devido ao efeito da geada. Mini botas tentavam dar algum conforto aos seus pequenos pés, em vista que o fato de andar por aquele vilarejo através das difíceis condições exigia esforço de um corpo tão frágil como o dela.

Aparentava ter seus dezesseis anos, olhos azuis como a espessura dos icebergs. Cabelos negros e longos que se movimentavam ao dançar com o vento cortante da ocasião. Impressionante era como seus lábios de um vermelho opaco exibiam um sorriso doentio e ao mesmo tempo alegre.

- Não há nada mais lindo do que a neve. Ela sempre nos conforta, nos brinda com sua beleza, sua individualidade. Não sei como nesse mundo há pessoas que odeiam a neve. É algo incompreensível. Livra-nos do calor do desespero e nos traz uma paz incomensurável. Andar por este vale, branco, e ver como os flocos se espalham por entre meus pensamentos é algo lindo. Se não choro, é porque meus olhos se congelaram para viver eternamente essa lembrança. Porém... O que procuro parece não estar aqui...

Ela procurava o arco-íris naquela terra gelada. Mas depois de andar e andar em seus sonhos a procura desse objeto, não obteve sucesso. Andava de um lado a outro, sem saber o que fazer para encontrar aquilo que queria ver pela última vez.

- Seria a luz da lua, uma pista para encontrar as sete listras mágicas coloridas? Ou nem mesmo ela pode me dizer onde encontro a razão da minha vida?

- Se olha para mim procurando respostas, é porque perde seu tempo procurando aquilo que sempre teve em você mesma.

Logo a menina percebeu que não era no céu que o arco-íris desejado.  Então se enterrou dentro da neve e esperou o amanhecer. Quase dormindo ela pensou o seguinte.

- O arco-íris não precisa ser colorido para me fazer feliz. Uma cor apenas pode me trazer felicidade, enquanto a busca por várias, me traz a tristeza a frustração...
E nunca mais se ouviu falar sobre outra menina que buscava o arco-íris em uma terra gelada.

Um homem estranho caminha sozinho... EM MERCÚRIO!

Olha e percebe aquele homem sozinho lá em cima! Olhando para o céu
O azul da noite, infiltrando nossas vistas como um simples véu
Olha e declama teu amor ao planeta mais confuso, Mercúrio
Do calor do sol, da bravura do mar, é o orgulho

Eu vou a Mercúrio! Nos meus sonhos...
Eu sou este, sonhador e risonho!
Quem vem comigo, planeta infinito!
É  o planeta Mercúrio, o mais bonito!

Somos amigos e vamos rodar!
Os  anéis de Saturno, não quero roubar!
As nuvens de Mercúrio, sempre viscerais!
Nos olham, rotulam, como animais!

É meu planeta natal, Mercúrio, sempre lindo!
Sem ar, oxigênio, é meu preferido...
Quero sonhar com você
Até anoitecer...

E ao fechar meus olhos não vejo o homem
Pois o homem agora anda sozinho
Seguindo seu caminho
Por onde suas pegadas somem

Eu sou Mercúrio!
Sozinho estou!
Hoje vou!
Direto para o infortúnio!

Planeta distante
Sigo errante
Mas sempre adiante

Sou o homem que andava em Mercúrio!



Roubando tempo

Sozinho, sentado, alado ao sofá
Sem força, sem pressa, nenhum motivar
O ócio espreme meus ossos em vão
Quebrados já são, inúteis estão

Não faço esforço para viver nessa vida
Feridas, infinitas, sem necessidade
Dizer liberdade, dizer igualdade
Um vassalo do vazio de atitude fria

Quem me vê, deseja não ver mais
Por minha fraqueza é dura
E duro é não ser capaz
De viver vida pura

Aquilo que muitos precisam
Um pouco mais de sentimento
Eu só estou de passagem
Aqui...

Roubando seu tempo...

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

O gelo

Tudo está branco, a cor se fez
Eles vêm aí, uma muralha se ergueu
Elas se foram e a estátua derreteu
De todos que sobraram, foram três...

Eu queria estar naquele lugar
Frio, congelar minhas veias
Congelar a minha alma
Mas como vou chegar lá

Em um futuro muito próximo
Eu queria ser um deles
Não ser mais um, porque eles
São os soldados feitos do mais puro material

Aquele lugar, em um mundo
Não há relógios, não há dias
Tudo e nada, sempre juntos
Quero ainda congelas minhas veias

Princesa de um vestido feito de cristais
Anéis de flocos, do material que amo
Oceano de brancura
Já vi essa cor antes

Porque é de gelo meu coração
Congelados são meus membros
E gélidos todos são

Pessoas de olhar frio
Correndo para o vazio
É tudo fabricado por gelo

Artesãos da tristeza
E que faça dessa tristeza
A nossa união
O gelo é o frio juntos à morbidez

Estar congelado, ser um boneco paralisado
Olhar para o nada, quando se pensar ver algo
Congelo meus lábios para não falar
E para não agir, congelo meu coração

O cérebro já se desintegrou
Nos cristais, elementos da princesa
Ela me manipula,pois suas mãos
São frias como o gelo

Eu sou o gelo
Eu sou o frio
Boneco de neve na estrada

Desolação, congelar
A zero de alegria
Negativos de esperança

O gelo, me faz feliz...

Imagens e Vazios

Sonhos e vidas, o que não se esquece
A flor que aparece, nos campos se habita
Fruto do mal, sementes do tempo
Acalento, estamos vendo...

Sentimentos? Matéria morta
Mas como pesa e não tem utilidade
Dai-me liberdade, para sair por esta fresta
Pois tudo o que vi não mais importa

Eu nunca, nunca, nunca vi você chorar
Quando as estrelas desapareceram
Perecem, e não mais retornam
Espaços onde devo ficar

Voltando aos meus pesadelos
De espelho para espelho
Deu-se de um mundo para outro
O absurdo de algo que não vejo

Desejos de estar aqui
Sentir que nada passou
Os sonhos não existem
Não choram, não riem, não falam
Não fazem, não pensam, não mudam
Eu mudo e se for por você
Que tudo acabe em algo
Que não seja um sonho
Mas algo, que faça desaparecer 

Fúria

Quando o tempo não passa
E tentamos entender
Por que não controlamos nosso tempo
Como gostaríamos

Inutilidade humana, despojos de angústia
Viver sob a lâmina do desespero
De nada poder fazer
Pela própria evolução

Espírito fraco, sangue fervente
Reluz tudo, não tem nada
Perfeito engano para com seus queridos
 A febre incessante de se achar perfeito

Braços e pernas imóveis, pelo medo se errar
Cérebro paralisado pela fome de refletir
Algo limpo, palavras dóceis, atitudes boas
Mas nada que seja o ideal

Ser humano sujo, prepotente
Dono de feitos maléficos
Carne podre de pecados
Ácida... Áspera... Amarga...


Quando não faz nada fere as pessoas por incapacidade
E se faz, as machuca por cruel ambição
Eterna condição de ceifador de corações
Inocentes ou não

Mesmo que ame, mesmo que chore
Ainda é vil, ainda é diabólico
Mais do que feito de carinho e ternura
É feito... De fúria...

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Alucinógeno

Meu primeiro conto! ^^

Alucinógeno


Trancado em seu quarto, Bob se encontrava em uma profunda tristeza. Não era um rapaz de beleza notável. Para não faltar com a verdade, não se encontrava de forma alguma tal objetivo na representação dele. Levara um sonoro fora da garota que mais amava. Ouviu a mesma dizendo que era apaixonada por outro cara. Seu time do coração havia sido rebaixado para a terceira divisão. Descobrira que sua mãe tinha um caso com o carteiro. Tudo conspirava com o acre sabor do desgosto contra o pobre energúmeno.

- Vida linda que pedi aos astros e às estrelas. O papel da minha vida! Belíssima atuação de um desiludido frente às adversidades. Vida longa ao rei, esse rei, destronado! – proferia Bob com voz baixa e pessimista.


Sentado ao lado da porta do quarto, ele mirava o relógio, por entre um movimento ocular e outro, desafiava a cama, a cômoda, a televisão empoeirada, os tênis imundos e por fim, a foto de Clara, estampada na tela do celular. A imagem da linda jovem ia se distorcendo junto ao efeito das lágrimas do pobre apaixonado.

- Como se não bastasse o mundo ferrando minha vida, da única que eu esperava afeto, hoje me engano. Clara... Por que não me escolheu? Meu... Meu amor não é puro? Não sou homem para suas necessidades? Por que essa maldita dependência de você? – dizia Bob no contínuo do seu lamento.

Quase se engasgando em meio às palavras, Bob lançou o celular contra a parede com a força de um gorila, chorando compulsivamente. Seus olhos ficaram tão vermelhos que por momentos, pareceram rubis. Até que um barulho estranho corta seu choro. O ruído vinha da janela, como se alguém tentando entrar. Bob secou os olhos e o rosto com a camiseta e se dirigiu à janela para ver o que era. Ao abri-la, se depara com um homem encapuzado e de óculos escuros, que trazia na mão um saquinho estranho.

- Hei filho! Gostaria de comprar umas balinhas? São apetitosas, te garanto! Só por dois mangos! – ofertou o homem, com um sorriso sacana.

-Qual é seu velho?! O que você esta fazendo aqui? E como chegou aqui? Sai fora!Hoje não estou com saco para conversar com ninguém! –replicou Bob irritado.

- Azar o seu de deixar uma escada perto da sua janela. Até parece que já estava me esperando. Vai comprar essa joça ou não? Dois mangos! Nem mais, nem tão pouco menos! – disse o homem agitando o saquinho na frente e Bob.
O dia do garoto estava tão ruim e amargo que ele acreditava que nada mais parecia importar. Fitou o saquinho por segundos, enquanto o dia ia dando lugar à noite. Mordeu os lábios, passou a mão no rosto cheio de espinhas e meneou com a cabeça de um lado a outro. Os movimentos foram interrompidos por uma frase vinda do vendedor inesperado.

- Armaggeddon em Júpiter! Vamos morrer! Flores no seu enterro, em meu enterro! Cantarolamos a vida! OU me compre esse saco de balar fedidas ou me empurre dessa escada rumo ao inferno! – profetizou o homem encapuzado em tom de deboche.

-Se eu comprar essa porcaria, você dá o fora? – disse Bob puxando o dinheiro do bolso.

- Você que manda, garoto feioso! Quem sabe as balinhas não dêem um jeito na sua cara doente! HAHAHAHAHAHAHA!!!  - sacaneou o vendedor.

Bob se encheu de raiva com o último comentário do homem. Então puxou o saquinho das mãos do vendedor, enfiou o dinheiro na mão dele e o empurrou da escada da janela. Ao cair no chão e machucar um braço, o homem ainda falou.

- A gratidão humana é o encontro do sol e da lua! Tão maravilhosos e nunca o veremos. Paz meu querido... Alguém pode me ajudar aqui?

Bob jogou o saquinho no chão e se sentou na cama. Ainda pensava em Clara. Nem sua mãe, seu time, suas espinhas ou sua feiúra apagavam a linda moça de cabelos longos e lisos e de pele branca. Muito menos inesquecível era a palavra negativa se desenhando em câmera lenta nos lábios carnudos de sua amada.

- Se eu pudesse te esquecer... Clara... Ao menos... Não saber quem você foi e o que me fez... – pensava Bob cabisbaixo.

Voltava a olhar para o saquinho de balas como forma de escapar, mesmo que momentaneamente de Clara. Pegou o saquinho e viu que realmente eram balas. Balinhas vermelhas aparentemente normais. Sem rodeios, comeu duas e se deitou na cama, jogando o olhar para o teto.

As balas não tinham nada demais. O gosto era doce e só. Segundos depois, Bob se sentiu sonolento, mas não chegou a adormecer. Até que um novo ruído, agora vindo da porta, ressoava. Não querendo se levantar, Bob apenas disse para o desconhecido que para abri-la. A porta se abre e justamente quem aparece é Clara. Sim, a menina da vida de Bob. Calças jeans apertadas lhe torneavam as lindas pernas, além de uma camiseta igualmente delineava o resto do corpo. Ao balançar dos longos cabelos , ela começou jogou seus olhos azuis porcelana em cima de Bob. Esse então se levantou rapidamente e branco como um fantasma, começou  a falar.


- Cla... Clara... O que esta fazendo aqui? Pensei que você tinha ido para o interior!

- Ainda não bobinho! Vim aqui, porque você não me deu tempo de dizer mais uma coisa a você. Você saiu tão rápido que nem me deu oportunidade de continuar... – respondeu Clara segurando as mãos de Bob.

- Continuar? Não entendi... Continuar o que? – balbuciava Bob, se tremendo todo com o toque das suaves mãos de Clara.

 - Você está muito tenso Bob. Relaxa. Eu não vou te matar. – dizia Clara passando a mão no rosto de Bob.

Depois desse encontro inicial, Clara acendeu um cigarro, se sentou no chão e começou a brincar com o cabelo calmamente. Ao mesmo tempo que tentava entender porque Clara estava ali, Bob se encantava com a feminilidade da garota, a característica que simplesmente o conquistou. A garota que ele tanto amava e que lhe dera um chute nos fundilhos, agora estava em seu quarto sem mais nem menos, como se tudo estivesse normal. Ele permanecia imóvel, assustado e incrédulo, dando a impressão de que Clara era um fantasma, ou um cadáver fresco.

- Não deve demorar muito... Ele disse que chegaria logo... – comentava Clara entre uma baforada e outra.

“Ele?” pensava Bob. Quem seria esse individuo que logo chegaria? Quem poderia ser e porque Clara o anunciou? Será que era o mesmo cara que a conquistou e a roubou de suas mãos.

- Quer ajuda para respirar Bob? Você esta morrendo em pé! Quando ele chegar, você já vai estar morto! Qual é?! – zombava Clara em tom desdenhoso.

- Quem é ele? Quem é ele Clara? E por que você está tão estranha? O que esta acontecendo? Se tudo isso é só uma curtição com a minha cara, por favor vá embora! Já me fez sofrer uma vez! De novo não! – gritou Bob saindo do transe.
Clara então se levantou, deu uma última tragada no cigarro, jogou-o no chão e durante alguns minutos encarou Bob.

Logo depois saiu do quarto. Sem conseguir entender e sem forças e motivos para ir atrás dela, Bob se deitou novamente e colocou o travesseiro no rosto. Dessa vez, ele adormeceu. Minutos depois ele acordou, olhou para um lado e depois ao olhar para o outro viu novamente Clara sentada no chão, fumando seu cigarro e olhando para ele. Bob pulou da cama e esbaforido perguntou.


- Você ainda está aqui? Não tinha ido embora?

- Eu? Claro que não! Eu estava aqui o tempo todo Bob! Você está bem?Estava tendo algum pesadelo?  - respondeu Clara rindo.

- Não! Não! Não! Não! Não é possível! Eu não estou ficando louco!Deve ter uma explicação! Não! – gritava Bob arrancando os cabelos desesperado.
Sem se encontrar, Bob se atirou em Clara, segurou seus braços e encostou  o rosto no perfumado pescoço dela. Ao sentir a respiração doentia de Bob em seu pescoço, Clara começou a falar, sem fazer força para se soltar.

- É por isso que você sempre ficara sozinho... Namorar um horroroso como você? Fracassado... O mínimo que você deve fazer é nunca mais sair desse quarto deprimente...

Ao ouvir tudo o que Clara disse com uma voz sombria e deliciosamente feminina, Bob a soltou e de cabeça baixa, não disse uma só palavra. A porta novamente se abre e mais uma pessoa aparece. Era o pai de Bob que chegara do trabalho.

- Ele chegou! – cantarolou Clara batendo as mãos e se levantando do chão.

- Pai? Como ela sabia que era você que ia chegar? – perguntava Bob duvidoso.

O pai de Bob olhou para ele, foi em direção à Clara e a beijou escandalosamente.

- Será que é por isso? – disse o pai de Bob em tom sarcástico.

- Era isso que faltava eu te dizer Bob! Seu pai é o cara por quem estou apaixonada! Mas como você é tão covarde e saiu correndo, não deu tempo de falar.

Bob foi tomado por uma fúria incontrolável. Sem pensar, saiu correndo do quarto, desceu as escadas e rumou à cozinha, onde encontrou sua mãe e o carteiro mortos no chão. Antes que ele pudesse ensaiar outro movimento, seu pai e Clara aparecem na cozinha abraçados.

- Filho... Eu estou meio ocupado com a Clara... Você poderia limpar o sangue que jorrou na minha arma?

Revoltado com todos os acontecimentos presenciados, Bob pegou a arma e atirou no pai. Clara saiu correndo pela sala, mas Bob não a perseguiu, pois logo após matar o pai, decidiu se suicidar.

No momento do tiro, Bob acordou. O tempo todos estava dormindo sentado ao lado da porta, onde havia estado o dia todo. Porém ele acreditava que tudo aquilo não era um mero sonho. Correu para a janela e viu a escada colocada perto da mesma. O celular estava quebrado no chão. Então Bob pensou que tudo era mesmo real, que tudo estava acontecendo. Um ruído ressoa da porta. Bob abre e Clara aparece.

Tomado pelas recentes lembranças e acreditando que tudo aquilo estava para acontecer, Bob agarrou Clara com força, empurrou-a contra a parede e começou a bater violentamente a cabeça dela contra a parede. A cada batida, batia com mais e mais força, até que a parece se banhou em sangue. Clara perdia a consciência até que caiu morta no chão, com a testa toda ensangüentada e os olhos abertos como de peixe morto.

Com as mãos cheias de sangue, Bob dava pequenos tapas no próprio rosto para saber se estava sonhando ou se a morte de Clara era real. Ainda tentando confirmar o fato, ele vê um papel no bolso da calça de Clara. Depois de pegar o papel, ele começa a ler.

-“ Simplesmente não posso te namorar por um motivo muito triste. Tenho uma doença muito rara e que vai me matar em questão de dois meses. Se for para fazer um cara infeliz, não queria que fosse você, por isso menti dizendo que gosto de outro cara. Bob, sempre te amei e sempre vou te amar... Me perdoe...
                                                                                                                                                   Clara

Bob largou o papel no chão e começou a rir incontrolavelmente. Não acreditava que acabou de matar a mulher que mais ama, e que aquilo não era um pesadelo e sim a realidade. Já fora de seu bom senso e raciocínio, pegou o maço de cigarros que caiu do bolso de Clara, acendeu um cigarro e começou a fumar perto do cadáver da amada, em mais um banho de lágrimas, de um rapaz que só veio ao mundo para sofrer, a dor de amar alguém.

DREAM THEATER - VACANT/ THE ANSWER LIES WITHIN

http://www.youtube.com/watch?v=k4djXmjQe9k&noredirect=1


Minha 2ª banda preferida (Metallica, claro é a primeira!) O Dream Theater entrou em minha vida no ano passado, em julho. E, desde então, eles me impressionam cada vez mais, com suas fabulosas e maravilhosas composições, sejam na parte instrumental, altamente elaboradas, sejam na parte lírica, com assuntos e temas que nos envolvem e nos trazem uma identificação ímpar. Essas duas lindas canções resumem tudo o que eu digo! Sayonara! ^^

Comunicado!!!!!!!!!!!

Boa tarde, meus caros telespectadores do mundo real!

Após postar cinco materiais de minha autoria, resolvi fazer uma coisa diferente. Antes de colocar mais algumas de minhas maníacas criações, quero explicar a todos vocês a razão por eu criar esse espaço.

Há um bom tempo (isso seria em torno de 3 anos, época da minha graduação em Letras), venho conhecendo e tomando gosto pela escrita e pela literatura. Sim! Eu, logo eu, que não tinha a mínima vontade e iniciativa e nem mesmo inclinação para essa arte que tanto nos impressiona pela sua articulação, beleza, riqueza de detalhes e contingência de valores sociais e culturais. Saí, aos 17 anos, de uma sala de aula, nunca imaginando, que 9 anos depois, eu me formaria justamente para ser um professor, e voltar às salas de aula, agora como o representante do conhecimento. A vida nos prega peças, muito bem encaixadas e calculadas, por sinal.

Durante minha vivência na universidade, não só provei do prazer da leitura, como também da escrita. E através dessa última, descobri uma nova forma de ler meu mundo e expressá-lo, uma nova maneria de me mostrar. Através de tudo e de nada que escrevo, farei sentido em apenas uma coisa: Ser um escritor louco e sem escrúpulos! ENJOY IT !


segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Noite morta


Vai e vem de estrelas
Correndo e correndo
Morrendo e morrendo
A cada movimento falso da órbita faceira

Vou voar sem te dizer até logo
Pois não sou falso como você
Sua paz não logro
Junto às estrelas da noite, irá morrer

Cada passo inusitado, repensado
Minhas mãos não existem do outro lado do portão
Então me guie, anjo desesperado
Sinfonias e melodias do não

Se importa se eu te deixar ser livre
Interessa a liberdade se ser quem sempre foi
Por onde andei e onde estive
A ferida que nunca dói

Unicórnios de metal, nada reais
Da sua vida desisto
Versos e versos banais
Neles aqui insisto

Porque sempre pela mesma porta
Vemos a mesma figura
A mesma gravura
Noite morta


Aranhas

Peludas e carnudas
Torneadas patas
Doce veneno
Corrosivo e mortal

Por entre nossas veias
Nos tornamos doentes funcionais
Ao bebermos  o  néctar maldito
Que corre de suas entranhas

Possuem o andar delicado, desenvolto
Passos calculados,  simétricos e por que não
Atraente, fatal, agressor
Atenta a todos nossos movimentos

A beleza de suas teias
Amarra-nos
Amordaça-nos
Tortura-nos

Somos subjugados como meros insetos
Moribundos e dependentes dessa prisão
E uma vez capturados, humilha-nos
Em seu covil de tirania, selvageria  e chantagem

Chantagem às nossas vidas
Cuspindo em nossas faces a realidade
Somos incapazes de cobrar nossa liberdade
Almas sugadas, sem misericórdia
Nada é deixado de nossos corpos

O que sobra é o podre cadáver
Submissão, solidão, pecado
Raiva, ódio, ressentimento, remorso
Culpa, confusão, inutilidade febril

Peludas, fortes
Úmidas, venenosas
Dissimuladas, Calculistas
Feiticeiras da natureza

Isso é tudo que sei

Sobre o animal que mais amo

... e o que menos entendo



Amor ao inverno

Existe uma estação mais linda e maravilhosa que o inverno? Não... pelo menos em meu entendimento durante 25 anos de existência. Dia 21 de junho de todos os anos é uma data mais do que especial para mim. Nâo é só um dia 21 de junho qualquer.

Esse 21 de junho é o aniversário da geada, da neve, dos flocos de gelo, do vento gelado e cortante, refrescante, revitalizante. O inverno nos torna mais serenos, mais calmos, mais tolerantes, mais pacientes, mais elegantes.

Enquanto seu irmão-rival, o verão, nos torna mais estressados, mais agressivos, mais cansados, mais preguiçosos, mais odiosos. Nada soluciona o calor, porém, qualquer coisa pode solucionar o frio. Você nunca teve a sensação de que mesmo tomando 3 litros de água gelada, um banho de mar, 4 horas na frente de um ventilador, 10 picolés e mesmo assim, ainda continua com calor? Agora, no inverno, olha só como são as coisas... Uma xícara de café, uma blusa, um cobertor... tudo resolvido.

A beleza do inverno reflete nas pessoas. A beleza mórbida, racional, seca e intransigente, diferente à beleza que as pessoas possuem no verão; abarrotada, largada, rústica. Quatro meses são poucos para externar meu amor por essa sublime e grandiosa estação. O próprio nome já exala um ar de libertação, graça e bem-estar: INVERNO!

A matéria de não ser

Sou animal jogado à vida
De minhas feridas, faço conjuração
Ao passado infinito, do meu labirinto
Faço escuridão

Sou estrela da neve, ao que tudo me fere
Sem os olhos abrir
O fruto é perfume, mas como vagalume
Com a luz refletir

Sou algoz dos meus atos
Caminho desesperado tentando acertar
Decisões no relapso, dentro do meu colapso
E meu medo de errar

Sou aquele que chora
Sempre a cada nota
E que nunca se importa
Eu espero com amor

Sou aquele que ama
E que mesmo assim se engana
Com quem sente que encanta
Mas me causa dor

Mas no fim nada sou
Pois não posso tocar
Melodia do ser
Natureza de estar

INTROdução

Não há mais acordos, a vida determinou o laudo que sentencia minhas expectativas sobre tudo o que me rodeia. Não há amor, não há o sentimento visceral que cobre nossos corpos de luz e de graça.

Eu, obrigado a desistir dessa luta, agradeço a cada minuto que desperdicei tentando encontrar respostas nesse mundo, onde nunca saberei, quem é o estranho, o mundo, ou eu.

Leve embora meus planos, leve embora a confiança, leve embora o desejo, leve embora a coragem, leve embora a realização de sonhos, leve embora e não traga de volta, se é isso que assim mereço, que seja assim então.

As asas de uma águia nunca estiveram tão perto do chão...