Em uma ilha deserta, completamente deslocada do resto do mundo, solitária e triste, largada à mercê do esquecimento, estamos a esperança e eu...
Não temos nada, não somos fortes o bastante para enfrentar o isolamento. A infinidade deste mar de dúvidas e sofrimento arrebata-nos, cortando nossa peles, almejando alcançar a carne. Quem nos trouxe a ese lugar? De quem foi a idéia de viajar para um local tão cruel e desolador? Como chegamos aqui? Para todas as questões, uma única resposta; Fui eu! Simplesmente, eu!
Digamos que temos uma espécie dem ligação-relacionamento. Não dá para definir ou aproximar de algo como namorados, casados, amantes ou o que for do gênero. Apenas somos ligados um ao outro. Porém, que ligação mais conturbada...
Ela não tem culpa... Eu a trouxe para essa maldita ilha chamada "ANSIEDADE" ma tentativa de acender a chama do noso amor. Queria uma lua-de-mel especial. Algo inesquecível. Bem mais que um jantar à luz de velas, observar as luzes da cidade ou um passeio por Paris...
Não... Eu preferi a maldita ilha, iludido por sua hospitalidade ímpar, o otimismo na cara dos funcionários, a boa vontade do manobrista, a alegria do carregador de bagagens. Ha, ha, um serviço de primeira! Foi o que imaginei, quando o panfleto mágico caiu nos meus pés! A ansiedade deve ser boa!
Pensei dessa forma, inocentemente. Será o melhor presente para alguém tão nobre como a esperança. Senhora de todos os homens, de todas as mulheres, dos animais, das bactérias, dos vermes, de tudo que respira. Ela cuida da auto estima de todos nós. Nos resguarda, nos protege do pessimismo, sempre nos armando de ousadia, coragem, determinação, garra e comprometimento com nossos objetivos!
Ela é maravilhosa! Um ser invejável, incomum e mesmo assim tratei como se assim não fosse. O tanto que fez por mim e o tanto que nunca farei por ela... É o preço da ingratidão, mais alto que as cotações das ações dos petroleiros enricados e entupidos de dinheiro e ambição. Fui mais cruel que o calor bestial dessa ilha sem fim, mais cruel que a ansiedade, porque, homem como sou (ou deveria ser) não protegi a quem amo, pensando apenas no meu bel prazer.
"Ménage a Trois", com duas divas da personalidade e audiência humana. As mais votadas em concursos de popularidade e fóruns de atividades. Elas deveriam se amar.
A esperança, minha amada esperança, deveria desfrutar da ilha, pois muito as duas têm em comum; são movidas ou governadas pelo mesmo pai, o tempo; aqueçem os corações daqueles que mirabolam planos para o futuro; fortalecem os laços familiares, na saudade, na espera, na chegada e na despedida; unem-se no sorriso da criança, na apreensividade do jovem, na satisfação do adulto e na gratidão dos idosos. Vê-se logo que eu destrui essa parceria... Vê-se logo que fui o algoz de uma tragédia imensurável, tanto na minha vida de minha amada, como na minha própria jornada.
Existe sempre duas formas de se usar uma espada; a primeira é para matar os inimigos; a segunda para matar a quem amamos. Eu acreditava amar a esperança tanto quanto eu acreditava me amar. Não fosse o bastante descobrir isso, percebi que nunca aprender a combater meus inimigos foi o mesmo que fincar a lâmina entre nossos corações.
A beleza da ansiedade me cegou, me iludiu vorazmente. Fui prepotente ao pensar que tinha controle sobre esse lugar, que nada, nem ninguém, poderia nos machucar. Muitas vezes o inimigo não mora ao lado, mas dentro de nós, como um de nossos órgãos. Quem sabe até não seja o coração...
Bendita ingenuidade que arrefeceu meus neurônios e me fez crer que ser ansioso não me faria mal algum e menos ainda à minha bela companheira! Que seja tarde demais para pedir desculpas! Não vejo outra utilidade para esses escritos que não seja ajoelhar-me aos pés dessa divina criatura e implorar sua absorção... Ouça-me, querida...
Em um mundo tão consumido pelo ódio, ciúme, interesses próprios, vingança, medo, arrogância e impaciência, de que vale te fazer sofrer? Você não pode fazer nada por mim! Que eu aprenda a ser forte sem sua força! Que eu aprenda a cair sem você estar lá para me levantar! Que eu me machuque , adoeça, sofra sem que você esteja lá para me curar! Eu te liberto desse fardo! Você tem tantas vantagens e nenhuma delas posso aproveitar. Me perdoe, linda moça... Não seja mais minha, mas de alguém que consiga esperar dias melhores sem ter que viver um dia após o outro, atropelando o curso natural das coisas. Me deixe e me perdoe, não sofrerás mais!"
Se foi o que eu deveria fazer por nós... Não sei... Mas sei que ao menos contribuirei para dias menos pesarosos que os de nossa estadia. Descanse em paz, Esperança...
"Ménage a Trois", com duas divas da personalidade e audiência humana. As mais votadas em concursos de popularidade e fóruns de atividades. Elas deveriam se amar.
A esperança, minha amada esperança, deveria desfrutar da ilha, pois muito as duas têm em comum; são movidas ou governadas pelo mesmo pai, o tempo; aqueçem os corações daqueles que mirabolam planos para o futuro; fortalecem os laços familiares, na saudade, na espera, na chegada e na despedida; unem-se no sorriso da criança, na apreensividade do jovem, na satisfação do adulto e na gratidão dos idosos. Vê-se logo que eu destrui essa parceria... Vê-se logo que fui o algoz de uma tragédia imensurável, tanto na minha vida de minha amada, como na minha própria jornada.
Existe sempre duas formas de se usar uma espada; a primeira é para matar os inimigos; a segunda para matar a quem amamos. Eu acreditava amar a esperança tanto quanto eu acreditava me amar. Não fosse o bastante descobrir isso, percebi que nunca aprender a combater meus inimigos foi o mesmo que fincar a lâmina entre nossos corações.
A beleza da ansiedade me cegou, me iludiu vorazmente. Fui prepotente ao pensar que tinha controle sobre esse lugar, que nada, nem ninguém, poderia nos machucar. Muitas vezes o inimigo não mora ao lado, mas dentro de nós, como um de nossos órgãos. Quem sabe até não seja o coração...
Bendita ingenuidade que arrefeceu meus neurônios e me fez crer que ser ansioso não me faria mal algum e menos ainda à minha bela companheira! Que seja tarde demais para pedir desculpas! Não vejo outra utilidade para esses escritos que não seja ajoelhar-me aos pés dessa divina criatura e implorar sua absorção... Ouça-me, querida...
" Esperança, rainha de todos que a contemplam e a tem eu seus corações, por favor, perdoe este animal que teve o ímpeto de ferí-la com a promessa de que saberia o que fazer... Foi um erro...
Eu matei pessoas, feri pessoas, decepcionei pessoas e parece que a vida é continuar nesse fluxo inconsequente. Mas, não poderei, nem devo, te levar comigo. Você não merece ser cúmplice de tamanhas atrocidades e injustiças, que ferem seus princípios e conduta de qualidade e exemplo. Não quero usar de seus encantos em vão. Não posso difamar seus poderes, fingindo ser paciente e fingindo acreditar no que você pode fazer por mim. Eu acredito nos seus poderes, porém meu corpo responde e outra maneira...
Há, na verdade, uma espécie de contra fluxo entre alma e corpo. Tanto você, como eu sabemos que a primeira é mais pura, racional, concisa e precavida que o segundo, porém é o segundo que possui mais força, brutalidade, peso e poder de decisção sobre tudo que se diz respeito às minhas atitudes.
Se não sei esperar é porque me perdi em desespero, me desencontrei de seus afagos e carícias apra andar errante e displicente pelas "ruas da amargura", manchando vosso nome com minha carne suja de mentiras e pecados. Afasta-te de mim, bela mulher, bela mãe, bela irmã... Procure aquele que corresponderá aos seus anseios, pois sei que outro irá trazer mais orgulho. E digo isso porque sei que o que devo fazer de hoje em diante não compete à sua ajuda. Não a mereço e mesmo que a merecesse, seria de inútil uso agora. O que devo aprender não está nos seus livro. O que devo sentir não está nas suas palavras. O que devo fazer, não está nos seus abraços.
Eu te liberto, eu te desposo, te livro das corrente dessa vil relação, das torturas de ser minha, de um amor falso, regado às promessas mal feitas e igualmente não cumpridas. A conta está paga, Seu avião já chegou para levá-la daqui. Vai! Eu devo ficar aqui e ver meu fígado ser devorado eternamente pelo abutre que também tem o nome da ilha. Por ironia, assim que devorado completamente, meu fígado crescerá novamente para aumentar minha dor e minha punição. Uma chance a mais de sofrer por você.
Mas, vá, Esperança! Já fizeste demais por mim, enquanto eum nada fiz e não conseguirei fazer! Devo olhar o mundo sem seus olhos! Endurecer meu coração, minha alma e a minha carne! É um pecado esperar o melhor das pessoas, já que não somos perfeitos! É uma infâmia esperar que tudo seja do jeito que queremos. Sonhar o mundo ideal é coisa da literatura, do desenho, da pintura, das esculturas e da música e não esquecendo nunca da mentira!
Se foi o que eu deveria fazer por nós... Não sei... Mas sei que ao menos contribuirei para dias menos pesarosos que os de nossa estadia. Descanse em paz, Esperança...
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