terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Um Momento Apenas


Pessoas que amam, eu não as conheço
E por não conhecer, eu desmereço
Saber que tudo não passa de objetos

Hoje uma garota me olhou com desprezo
Violência sem vida e apenas sorrirei
Pois ela nunca saberá, o quanto amei

Aquele momento, aquela figura
Um quadro pintado em questão de segundos
Mas que por formosura, se tornou obscuro

Dos céus à destruição
Do ódio à alegria
Você, causa alergia
No meu cérebro e coração

Espadas e cavalos
Passaram por todos nós
Eis que estás cansada
E me olhou assustada

Não sou homem para você?
Você foi mulher para mim...
Digo adeus,dizendo até breve
Que esta minha febre
São fantasmas de alecrim

Um comentário:

  1. VERSOS DE AMOR

    Parece muito doce aquela cana.
    Descasco-a, provo-a, chupo-a... ilusão treda!
    O amor, poeta, é como a cana azeda,
    A toda a boca que o não prova engana.

    Quis saber que era o amor, por experiência,
    E hoje que, enfim, conheço o seu conteúdo,
    Pudera eu ter, eu que idolatro o estudo,
    Todas as ciências menos esta ciência!

    Certo, este o amor não é que, em ânsias, amo
    Mas certo, o egoísta amor este é que acinte
    Amas, oposto a mim. Por conseguinte
    Chamas amor aquilo que eu não chamo.

    Oposto ideal ao meu ideal conservas.
    Diverso é, pois, o ponto outro de vista
    Consoante o qual, observo o amor, do egoísta
    Modo de ver, consoante o qual, o observas.

    Porque o amor, tal como eu o estou amando,
    É Espírito, é éter, é substância fluida,
    É assim como o ar que a gente pega e cuida,
    Cuida, entretanto, não estar pegando!

    E a transubstanciação de instintos rudes,
    Imponderabilíssima e impalpável,
    Que anda acima da carne miserável
    Como anda a garça acima dos açudes!

    Para reproduzir tal sentimento
    Daqui por diante, atenta a orelha cauta,
    Como Mársias - o inventor da flauta -
    Vou inventar também outro instrumento!

    Mas de tal arte e espécie tal fazê-lo
    Ambiciono, que o idioma em que te eu falo
    Possam todas as línguas decliná-lo
    Possam todos os homens compreendê-lo!

    Para que, enfim, chegando à última calma
    Meu podre coração roto não role,
    Integralmente desfibrado e mole,
    Como um saco vazio dentro d'alma!
    (Augusto dos Anjos)

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