Pessoas que amam, eu não as conheço
E por não conhecer, eu desmereço
Saber que tudo não passa de objetos
Hoje uma garota me olhou com desprezo
Violência sem vida e apenas sorrirei
Pois ela nunca saberá, o quanto amei
Aquele momento, aquela figura
Um quadro pintado em questão de segundos
Mas que por formosura, se tornou obscuro
Dos céus à destruição
Do ódio à alegria
Você, causa alergia
No meu cérebro e coração
Espadas e cavalos
Passaram por todos nós
Eis que estás cansada
E me olhou assustada
Não sou homem para você?
Você foi mulher para mim...
Digo adeus,dizendo até breve
Que esta minha febre
São fantasmas de alecrim
VERSOS DE AMOR
ResponderExcluirParece muito doce aquela cana.
Descasco-a, provo-a, chupo-a... ilusão treda!
O amor, poeta, é como a cana azeda,
A toda a boca que o não prova engana.
Quis saber que era o amor, por experiência,
E hoje que, enfim, conheço o seu conteúdo,
Pudera eu ter, eu que idolatro o estudo,
Todas as ciências menos esta ciência!
Certo, este o amor não é que, em ânsias, amo
Mas certo, o egoísta amor este é que acinte
Amas, oposto a mim. Por conseguinte
Chamas amor aquilo que eu não chamo.
Oposto ideal ao meu ideal conservas.
Diverso é, pois, o ponto outro de vista
Consoante o qual, observo o amor, do egoísta
Modo de ver, consoante o qual, o observas.
Porque o amor, tal como eu o estou amando,
É Espírito, é éter, é substância fluida,
É assim como o ar que a gente pega e cuida,
Cuida, entretanto, não estar pegando!
E a transubstanciação de instintos rudes,
Imponderabilíssima e impalpável,
Que anda acima da carne miserável
Como anda a garça acima dos açudes!
Para reproduzir tal sentimento
Daqui por diante, atenta a orelha cauta,
Como Mársias - o inventor da flauta -
Vou inventar também outro instrumento!
Mas de tal arte e espécie tal fazê-lo
Ambiciono, que o idioma em que te eu falo
Possam todas as línguas decliná-lo
Possam todos os homens compreendê-lo!
Para que, enfim, chegando à última calma
Meu podre coração roto não role,
Integralmente desfibrado e mole,
Como um saco vazio dentro d'alma!
(Augusto dos Anjos)